|
HOME
ARCHIVES
Você está visitando meus sonhos, pensamentos, desejos, devaneios e viagens traduzidos em rimas. Cada dia uma poesia, minha vida. Desde 2001.
|
|
Terça-feira, Outubro 31, 2006
COR
Foi o vento no meu rosto
E trouxe notícia de longe
Que eu ainda vivo
Em universo distante
Totalmente confuso
Achei que teria de morrer para estar aqui
Pois minha vida é fruto de tudo isso
Das incontáveis vezes que morri
Então chegou a mensagem
De que eu poderia não ter ido
De que os campos, as árvores e o vento
Tudo permaneceu igual a quando supostamente eu teria partido
E o que me importa
É simplesmente me sentir vivo
Mesmo que me restem pouquíssimos segundos
Antes que acabe este ar que respiro
Sou cúmplice de mim mesmo
Então me abracei como antes
Beijei minha própria boca
E eu e eu mesmo novamente nos tornamos amantes
E quis voltar para mim mil vezes
E atravessar a passadas largas o escuro corredor
Mas aceitei que eu deveria ficar onde estava
E meu mundo gradativamente voltaria a ter cor
posted by Alexandre dos Santos Silvano
10:09 AM
Comments:
Quinta-feira, Outubro 26, 2006
Colorindo acinzentado
Não quero apenas falar das cores
Que o arco íris pensou em roubar
Um pote de ouro jamais encontrado
Apenas mais uma ilusão para sonhar
E é assim que se firma o todo
Pintado em cores de algum lugar
Com a recompensa jamais realizada
Ilusão que ganha quem a procurar
Nos dias de outono
Para o cinza as cores cedem lugar
Esperando que se valorize a sua beleza
No momento em que elas não estiverem lá
E foi assim que o cinza se vingou
Explendorando todo o cenário
Com seu tom extraordinário
Tornando tudo belo em belíssimo acinzentado
Uma manhã de outono
E o dia amanheceu cinza assim
Até mesmo os caçadores de ouro
No trabalho colocaram um fim
E assim se reformou o todo
Pintado com ou sem cores em algum lugar
O pote de ouro continuou sem ser encontrado
Reavivando as ilusões com que podemos sonhar
posted by Alexandre dos Santos Silvano
4:02 PM
Comments:
Terça-feira, Outubro 24, 2006
Linhas soltas
Onde cabem somente frases
Posso escrever uma poesia
E me emocionar com ela
Porque falo das coisas que gosto
Sejam elas boas ou más
Tão emocionantes
Que parece que as leio pela primeira vez
Então me emociono
Com a história dos outros
Que às vezes escrevo
E quando vejo estas palavras
Falando das ilusões
De alguém
Pareço sentir dó
Mas não é bem isso
Porque acredito que as emoções
Às vezes sufocam as dores
As dores mais sufocantes
Que parecem ser irremovíveis
Mas tudo é uma questão de tempo
E no fim todo mundo sobrevive
E minha poesia se encerra
E procura outra coisa para contar
É quando vejo os estranhos passando
E imagino as histórias que eles tem para me contar
Tão tristes
Tão simples de resolver
Então espero que me contem algo novo
Mas na verdade duvido
Porque geralmente as ilusões são as mesmas
Tão iguais
E sei quando escrevo como vai ser
Cada final
Porque conheço o começo
E tento colocar algo que elas possam se aliviar
E esquecer do que sentem
Porque eu seu que jamais alguém morreu disso
De esperar um telefone que não toca
Ou uma carta que não chega
Então fico imaginando as lágrimas em seus rostos
E suas mentes ficando quase loucas
Acabo sendo casual
Naturalmente assim
Com um toque de frio
Intocável
Eu só queria libertar lhes
E mostrar lhes que há felicidade
Em estar só
Basta encontrar
Falo das coisas que ouvi dizer
Sendo boas ou más
Até me cansar
Então falo coisas não estranhas
Que elas acham que escrevi para elas
Mesmo sendo estranhas
Porque no final o ser humano é sempre igual
E busca as mesmas coisas
E sofre as mesmas dores
E não há emoção ou poesia
Que faça tudo isso mudar
Quando falo que no final tudo irá se ajeitar
Fico tão contente
Porque sei que ninguém vai padecer
Ou terminar só
Algumas pessoas duvidam de mim
E não se emocionam com o que escrevo
Mas até mesmo para estas pessoas escrevo também
Porque um dia acertarei a sua história
Que é igual à de muitos
Então finalmente elas irão se emocionar
E vão achar que estão loucas
Como todos outros
É estranhamente engraçado
É disso que vivo
E isso me alimenta
Ando pelas ruas escuras
E invento histórias
Estou andando, estou pensando
Alguns pedaços de mim ficam para trás
Caídos pelo caminho
Estou andando, estou pensando
Não há papel e pena há mão
Então fico com aquelas poesias só para mim
Perdidas em mim
Como meus pedaços que ficaram
Sem que me dê vontade de recuperá-los
Então ando por uma rua alegre e colorida
E percebo a grandeza daquilo que Deus me deu
Vejo crianças e velhos brincando
Eu também já estive lá
E vejo o sol e as nuvens e a bela cidade
E acho ótimo saber
Que ninguém se importa
Que ninguém padecerá
E assim sigo em paz
Escrevendo meus próprios heróis
E suas tristes histórias
E não me importo com os outros
Especialmente aqueles que dizem adeus
Porque se a própria poesia acaba
Porque o resto também não?
Porque haveria de ser diferente agora?
posted by Alexandre dos Santos Silvano
2:59 PM
Comments:
Segunda-feira, Outubro 23, 2006
Oração absoluta, coordenada, sobrodinada - intercalada - e principal
O cursor está piscando
Esperando que eu escreva uma oração
Sem ou com sujeito
Uma a uma as palavras surgirão
E falarão de você
E de mim
Falarão do amor que é nosso
Bem simples enfim
Você mulher
Que me completa
Como se eu nada fosse
Mesmo sendo o que já sou
Então sou bem mais com o que me trouxe
Você esposa
Que me acolhe
Como se eu nada tivesse
Mesmo tendo o que tenho
Então tenho mais com o que me destes
Você amante
Que me envolve
Como seu eu nada soubesse
Mesmo sabendo o que sei
Então sei mais com que me ensinastes
Você
Que é a união de tudo que eu queria
Quando eu nem mais esperava
Como se eu já tivesse desistido
Mesmo sem saber o que viria
Então possuí tudo aquilo que desejava
O cursor está piscando
Sujeito subordinado esse meu coração
De forma absoluta intercala - meu amor - à você.
Absoluta, tema da minha principal oração.
posted by Alexandre dos Santos Silvano
2:34 PM
Comments:
Terça-feira, Outubro 17, 2006
Om mani padme hum
E a luz violeta se abriu sobre nós
Através do portal veio limpar o todo
Na mente, o positivo, somente
No desejo, o bem, eternamente
Ah posso ouvir os mantras
Cantados nas fraternidades mundo afora
Vibrando, sonhando, desejando
O bem, o bom, o amém
Meus olhos parecem usar óculos violeta
Pois da sacada dos anjos tudo vejo
Um dia magnífico sobre nossas cabeças
Onde apenas o que há de bom prevaleça
Desejo amar, ser amado, ensinar a amar
Dinheiro, não para ser rico, mas para ajudar
Sucesso para vencer
Não pelo poder, mas para o próximo poder
Desejo o violeta, ultravioleta
O sorriso, o riso, a sombra da oliveira
E quero tanto, quero a saúde
Que trará a possibilidade do trabalho
Que também quero
E quero que seja tudo branco
Mas não em minha pele
Aliás, desejo que ela volte a sua cor original
Que cesse o vitiligo afinal
Quero que a fome acabe
Que a dor se cale
Que a miséria seja só a lembrança
Quero que o frio pare
Que o calor melhore
Que a natureza seja a pura bonança
Quero o bom, o puro, o positivo
Quero tudo de bom porque bom EU SOU
Quero a luz o amor e o poder
Estabelecendo o plano divino sobre a terra
A luz violeta
O amor de Deus
O poder da bondade
Em mim, em nós, em cada um
OM MANI PADME HUM
posted by Alexandre dos Santos Silvano
3:26 PM
Comments:
Domingo, Outubro 15, 2006
PERFIL
O tempo passa enquanto passo o tempo
No orkut, vendo e me vendo
Descobrindo que o tempo já passou
O mesmo tempo que me trouxe onde estou
Fico passando rostos e nomes
Como se a vida fosse uma fita k7
Que meu filho nem saberá o que é
Mesmo que seu tempo passe agora
Apenas pela Internet
E procuro inutilmente antigas emoções
E me lembro de bons e maus momentos
De oportunidades, de caminhos tomados
Minhas próprias opções
Saudoso, procuro por Maurícios
Que não ficaram perdidos no caminho
Como também procuro tantas outras Anas
Vitimados de um carro, um obstáculo, um destino
Tento sem sucesso clicar e fazer voltar
E quem sabe poder até mesmo adicionar
Anas Raquéis e seus tiros nos ouvidos
Melquisedelques que se foram sem me avisar
Enquanto vejo a vida em uma tela de computador
Lembro-me também da morte sem que ela me traga dor
Quantas mães se foram e quantos pais
Quantos irmãos de amigos partiram
No meio de tanta vida
Quanta morte já ficou para traz
Ah, então me permito imaginar que um dia chegue
E lá no futuro eu também tenha que morrer pela rede
E fico imaginando minha imagem, na rede dos meus amigos
Adicionado sem estar mais lá
Aumentando algum número dos amigos de amigos
Talvez com uma singela cruz para me identificar
Ah sim, gostaria muito que não deletassem nada por mim
Que me mantivessem sempre lá
Que nunca tirassem meu blogger do ar
www.cadadiaumapoesia.blogger.com.br
Minha própria poesia impedindo que eu me encerre
Enquanto passo rostos e nomes
Vou adicionando pessoas que talvez eu nunca mais veja
Pessoas que me lembram de alguma coisa
Um breve momento que seja
Até o dia em que meu dedo cessará de clicar
E mesmo que eu não mais exista
O meu eu digital ainda ficará por lá.
posted by Alexandre dos Santos Silvano
11:07 PM
Comments:
Quinta-feira, Outubro 05, 2006
A Puta e o Presidente
Quanto conheci o Arthur Bernardes
Eu era apenas uma puta caseira
Trabalhava para pagar os estudos
Vivia com meus pais uma vida corriqueira
Arthur me prometeu o mundo
Disse que me levaria e buscaria
Ofereceu-me muito mais dinheiro
E me tornei uma puta por inteiro
Eu acreditava que era a preferida
Que Arthur sempre cuidaria bem de mim
Imaginava ser sua puta predileta
E sonhava com um casamento sem fim
Arthur me colocou em um quarto antigo
E de quando em vez me dava um dinheiro a mais
Lá conheci outras tantas putas
E seus sonhos que tinham ficado para trás
Com o tempo, fui descobrindo a verdade
E fui deixando de amar Arthur Bernardes
Eu era agora uma puta suja de minério e coque
Com o coração talhado em aço nobre
Mas Arthur Bernardes ainda aprontaria
E me obrigou a trabalhar para outra família
Era a gente do sul tão fria como os ventos de lá
Foi quando decidi que não podia mais ficar
Deixei Arthur Bernardes de repente
Mas ele sequer pediu para eu ficar
Despediu-se com um resmungo de tanto faz
E fui embora finalmente sem olhar para traz
Hoje sou puta de luxo
E vou e volto sozinha sem que ninguém me leve
Escolho em qual cama quero me deitar
E não amo mais aquele que vem me pagar
Arthur Bernardes foi o melhor e o pior da minha vida
Sou agora uma puta com algumas cicatrizes acrescida
Estranhamente nem do seu rosto eu me lembro mais
Apesar de tudo ter ocorrido pouco tempo atrás
Como puta me deito, ganho meu dinheiro e vou embora
Nem sequer pergunto o nome ou fico além da hora
Já não sou nova, mas continuo bonita e elegante
Sou uma puta cara carregada de diamantes
posted by Alexandre dos Santos Silvano
9:00 AM
Comments:
Quarta-feira, Outubro 04, 2006
Pára-peito
Existe uma pára-peito
De onde os anjos sérios olham a cidade
Muitos contemplam calados
Expressando certo ar de ansiedade
Algumas vezes estive por lá
Apenas para contemplar a paisagem
Belíssima, se enxerga muito longe
A bela cidade parece uma bela miragem
Os anjos não conversam entre si
Apenas pensam pensamentos compartilhados
Alguns pensam pensamentos absurdos
Outros pensamentos rebelados
Quando estou no pára-peito
Não compartilho pensamentos com ninguém
Sou mero espectador da bela cidade
Não penso e nem sou anjo também
Intrigo-me porque os anjos ficam por lá
Admira-me porque eles não se põem a voar
Um céu azul, um horizonte inteiro
Que vai além de onde a visão alcançar
Queria ir além do pára-peito
Desejaria ser um anjo também
Mas não sei se amaria esta vida
Porque o anjo que tudo ama não ama ninguém
posted by Alexandre dos Santos Silvano
9:42 AM
Comments:
Motor, fumaça a tia e o fim do mundo
A fila de carros ultrapassa a vista
Que avista um sinal em meio a fumaça
É o fim do mundo
De outro mundo
É o começo do fim
Do fim do mundo
Meus vidros estão fechados
Fechado está o sinal
Sinalizando que é para parar
E parado estou afinal
Todo dia sobe a tia
"de apéis" na subida
Se não vejo a tia por um acaso
Por acaso estou adiantado ou atrasado
A fila de carros que andam em marcha
Motorista, carona e passageiro
Motor, fumaça, a tia e o fim do mundo
Passando o tempo ligeiro
posted by Alexandre dos Santos Silvano
9:34 AM
Comments:
Domingo, Outubro 01, 2006
ELEIÇÕES 2006
O passado é o corte profundo
Que vai sangrando gota a gota
Tudo aquilo que um dia foi chamado de juventude
Minhas musas estão velhas
E seus filhos atrapalham a minha passagem
Meus companheiros estão idosos
Tentando acompanhar seus filhos
Mas em eterna desvantagem
Por onde andei
Que não me sinto tão velho assim
Estes são os poderes da minha mente
Anulando o que de ruim existiu em mim
Na fila da zona eleitoral
Pulsam mais de 30 anos em frente aos meus olhos
Reconheço rostos, histórias e lembranças
Quase todos conseguiram chegar lá
O passado é o corte profundo
Escorrendo gotas vermelhas de tempo
O tempo que cuida em fechar todas as feridas
E que se renova, deixando o velho para trás
Sinto-me hoje mais acordado
Ao ver que os sonhos do passado se muito
Viraram devaneios e lembranças da minha mente
Na zona eleitoral o tempo vai sendo eleito
Se desmanchando em gotas limpadas no algodão
Para ser jogada em algum lixo
Que aguarda outras gotas que virão.
posted by Alexandre dos Santos Silvano
12:37 PM
Comments:

|