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Você está visitando meus sonhos, pensamentos, desejos, devaneios e viagens traduzidos em rimas. Cada dia uma poesia, minha vida. Desde 2001.
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Terça-feira, Novembro 28, 2006
Fim
Se eu posso acreditar que o fim é cíclico
Porque acreditaria diferente?
Por quê?
Outrora quando achei que era o fim
Eu não estava preparado
Outrora eu achei que morreria
E eu não morri...
Nuvens negras sobre mim
Um eu desprotegido
Sem as marquises antigas
Onde costumava a fumar durante a chuva
Uma chuva fria
Um vento gelado
Apenas eu na chuva
E eu não morri...
posted by Alexandre dos Santos Silvano
1:14 PM
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Sexta-feira, Novembro 24, 2006
Pieces
Somos feitos de pedaços
Que as vezes se separam
Sem que saibamos por quê
Somos feitos de coisas que se quebram
E que para sempre se perdem
Sem que entendemos porque
Então olhe para si mesmo e diga adeus
Porque amanha você pode não amanhecer
E os pedaços podem não estar lá
Meus pedaços estão espalhados
Guardados com pessoas de meu apreço
Estranhos a todos os ditados do mundo
Somos feitos de pedaços dividos
Em posse de pessoas queridas
Sem que compreendemos porque
Ontem não éramos nada
Onde estão nossos pedaços?
Em algumas gavetas de pessoas queridas
Esperando que seja soprada ao vento
Cremando os pedaços
Para se tornar ainda mais
Despedaçado
Olhe para si mesmo
E prepare-se para dizer adeus
Pois amanhã você pode não estar mais lá.
posted by Alexandre dos Santos Silvano
1:36 PM
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Segunda-feira, Novembro 20, 2006
Para o Céu
Cheirando chuva
Cheira o velho ouro
Ouro Preto
É uma igreja
É um hospital
É uma morte, um nascimento
Milton Nascimento
Quem sabe o que isso quer dizer ?
Passo o tempo aqui
Sem ter que olhar para traz
Trazido pelo vento das meninas
Minas Gerais
Um sonho
Sonhado outrora
Sem tempo, data ou hora
Nossa Senhora
Fogão a lenha
Cigarro de palha na mão
Luz de vela
Maria Bonita e Lampião
Viola de corda
Feijão de corda
Pulando corda
Banda que puxa o cordão
República de estudantes
República de Tiradentes
Cidades históricas
Histórias recentes
posted by Alexandre dos Santos Silvano
4:33 PM
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Quinta-feira, Novembro 09, 2006
Cada um por si
Veio como uma onda enorme
Meio assim sumida de visita
Entrando praia adentro
Renovando o pensamento mais pessimista
Eu sabia que isso passaria
Mas não saberia quando
Eu apenas queria saber
Você sabe?
Eu não tinha consciência
Eu não tinha vontade
De olhar para o céu
Em min nada acontecia
Eu só queria saber por quê
Eu sei o que não sei
Porque ?
Nessa cidade, cada um por si
Eu penso nas coisas
Muitas acontecem
Flashes na minha cabeça
Quadro a quadro
Eu não tenho medo
Mas tudo está lá
Quem pode me ajudar
Além de mim mesmo
Eu sei daquilo que não sei
Mas porque ?
Na minha mente muitas coisas
Da manha, da noite, estou pronto
Eu sou só aquilo que penso
E você o que é ?
Meus pensamentos me acompanham
Nem tão claros, nem tão profundos
É hora de pensar
De me organizar por dentro
Eu não tenho mais tempo
Eu não tenho mais por que
Eu não tenho mais nada
Nesta cidade, é cada um por si
Eu olho as crianças
Elas cheiram cola
Enquanto os padres rezam
posted by Alexandre dos Santos Silvano
12:55 PM
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Quarta-feira, Novembro 08, 2006
Anjos do Parapeito 2
Céu azul
Luzes verdes
Parado, observo os anjos
Alguns fumam
Sem saber por quê
Eles aprenderam com os vivos
Que fumam para esquecer
Alguns olham
Como que congelados pela paisagem
Eles não suportam
Não saber o que é amar
Porque não conseguem entender
O que dentro do peito dos humanos há
Eles voam pela cidade
Circulam praças
Cuidam de seus protegidos
Eles estão sempre lá
Tentam esquecer
Mas sempre encontram alguém
Cheio de amor no coração para ver
Então muitos deles voam sem direção
E os que ficam tentam tomar coragem
Todos eles estão tentando entender
Mas estão muito longe
De descobrir porque
posted by Alexandre dos Santos Silvano
9:06 AM
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Segunda-feira, Novembro 06, 2006
Navios no céu
Apesar de cansado
Eu não estou vencido
Eu sou mais que isso
Mais do que precisam
Basta olhar para mim
Você vai ver
O que há na minha mente
Prestem bem atenção...
O que vê
E a imagem real
Você não precisa disso
Você tem mais do que precisa
Quando me tem
Porque o que precisa
Não está em mim
E os barcos
Que partem do céu
Levando todos aqueles esqueletos
Os náufragos de um tempo
Que sempre está passando
Desejando ficar mais alegres por partir
E você pensa
Que eu estou lá
Mas não acredita
Que eu não possa ter partido
Nos navios das nuvens
Eu não pude partir
Porque tinha outras batalhas a vencer
Quando eu for embora para sempre
Todos saberão e se comunicarão
E festejarão cada um a sua maneira
E talvez cantarão....
Você assiste
Os barcos partindo
E não acredita mais
Que eu esteja lá
Agora minha mente é clara
E as coisas estão no lugar
Eu sou capaz
De vencer novamente
Não é estranho
Só porque você não entende
Não é irreal
Só porque você não acredita
posted by Alexandre dos Santos Silvano
9:23 AM
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Quarta-feira, Novembro 01, 2006
Sem Janelas, entre as árvores
No mundo dos vivos
Criaram o dia dos mortos
As pessoas não vão trabalhar
E visitam cemitérios mórbidos
Alguns levam flores
Outros carregam retratos
Pagam para limpar as lápides
Famílias e famílias repetem os mesmos hábitos
E eu não faço nada disso
E também não vou trabalhar
Meu espírito se junta aos que foram
E juntos brincam por entre as árvores
Você não pode ter idéia
Do quanto isso é melhor
Estão todos lá
Os mortos também não foram trabalhar
Eles tiraram o dia
E entre as árvores todos vem brincar
Então o que é um dia triste
Se torna alegre no mundo dos mortos
Mortos recentes e mortos antigos
Todos estão correndo por entre as árvores
Você não faz idéia
Você não consegue
As mentes estão livres
Não há rastro do mundo dos vivos
Aqui não precisamos de janelas
E nossa vida é bem mais divertida
Algum morto coloca um bom som
E agora todos de mãos dadas começam a dançar
Só existem sorrisos nas almas
Lembre-se que aqui não precisamos de janelas para olhar
Os mortos podem nos ensinar a viver
E acabar com tudo aquilo que achamos
Não está tarde para isso
Aproveitaremos o dia de finados
E aprenderemos com eles
Que não precisamos de janelas
Para brincar por entre as árvores
Não precisamos de janelas
Apenas brincamos entre as árvores
posted by Alexandre dos Santos Silvano
6:05 PM
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