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Você está visitando meus sonhos, pensamentos, desejos, devaneios e viagens traduzidos em rimas. Cada dia uma poesia, minha vida. Desde 2001.
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Quinta-feira, Maio 24, 2007
Festa
Quando a chuva parou, eles recomeçaram a ascender as velas dentro das lamparinas. E pacientemente uma foi sendo ascendida....
De repente eram milhares de lamparinas iluminadas, balançando ao sabor do vento colorindo a noite fria de luz...
Esperamos.
Então começamos a contar as nossas histórias, por onde cada um andou, o que fez...
Enquanto isso, o flautista tocava sua flauta, docemente como quem beija a amada após longa jornada fora. Tambores sensíveis soaram suas peles a acompanhar o flautista, que fez sinal para o violão e os outros instrumentos começarem a tocar...
Um incenso cobriu a madrugada cheiro a dentro, entorpecendo nossa conversa de leveza e ânimo...
Todas aquelas pessoas nos serviram boa comida, banquete oferecido por Patchamama. Cântaros com água da fonte foram descobertos de seu delicado véu expondo a água da fonte ainda fresca e sempre refrescante...
Vez por outra dançávamos, outras vezes cantávamos... Abraçávamos de felicidade e harmonia pois tínhamos a plena certeza de que aquele momento era realmente único. Um presente dado a nós...
E surgiu a lua trazendo consigo milhares de estrelas cintilantes, corpos celestes, astros, cometas... um completo céu se estendeu como se fosse um tapete suspenso sobre nossas cabeças...
Dado momento riamos bobos e alegres em uma alegria infantilmente pura, virgem de pré conceitos e preconceitos. Quando os irmãos dos instrumentos aceleraram o rítimo nós e nossas sombras de lua dançamos nos dando os braços em performances antológicas que estimulavam a todos sair do lugar...
Se deu que o dia amanheceu e nem percebemos. E quando os raios de sol nos deram seu abraço de bom dia e aqueceram nossos corpos fomos todos para a cachoeira viva, ultima queda do velho rio antes de se fundir ao mar...
Naquelas areias ficamos horas e horas... hora nadávamos em água salgada do mar, hora saboreávamos a doce água do rio.
E quando fomos para casa, tudo parecia uma lembrança psicotrópica da realidade, mas ao contrário de que pensávamos, tudo aquilo tinha sido real. Estávamos sóbrios demais para achar que tudo aquilo fosse uma viagem dessas que se vendem por aí nas antigas bocas de fumo, hoje gargantas do diabo.
Não estávamos doidos e a lembrança de cada minuto se tornou presença marcante em nossos pensamentos por muito e muito tempo...
Quando estávamos a um fio de lembrança e saudade, nos reunimos e fizemos tudo de novo. Desta vez levamos mais dos nossos e a festa soft aconteceu mais uma vez.
posted by Alexandre dos Santos Silvano
10:13 PM
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Partes de mim
Quando cheguei à cidade estava vazia
Todo mundo, todo mundo mesmo tinha saído
Chovia, fazia frio
Fiquei só - com meu coração sozinho e partido
Passavam aqueles pedaços de galhos secos
Passavam por mim e por lugares que já estive
Lembrei-me das minhas antigas vontades
E de todos que se foram mortos e fogueiras de vaidades
Ligo o ar condicionado e vago pela cidade
Preferia o vento na cara com outro cheiro no ar
Meus bares preferidos não existem mais
A cidade vazia parece não ser minha cidade mais
Os grafites antigos são como pinturas rupestres
E não sei o que se fez dos garotos de spray
Pinturas que cercam os muros que cercam os campos em que jogávamos
Muros que impedem a vista que tantas vezes contemplávamos
Antes eu sabia os nomes dos loucos de cor
Figuras que fizeram parte de algumas coisas que tenho de melhor
Até mesmo os loucos se trataram
E se foram levando parte de algumas coisas que tenho de pior
Nas casas, ainda encontro vez por outras fotos antigas
Das famílias inteiras fotografadas em volta do patriarca
Isso é tudo que restou da cidade
Uma foto na parede esquecida talvez por piedade
posted by Alexandre dos Santos Silvano
9:44 PM
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Terça-feira, Maio 15, 2007
Um dia de cada vez
É que sou feito de poeira e nada
E nada tenho a dizer de bom
Bom seria poder falar de alma
Mas minha alma nada mais é que poeira
É que sou feito de mar e nada
E nada que dissesse teria sentido
Sem sentido como minha própria vida
Levo a vida naufragado no mar
É que sou feito de luz e nada
E nada posso sentir sem ter vivido
Tenho vivido de cada vez um dia
Um dia estarei frente a frente com a luz
É que sou feito de vento e nada
E nada sei ou saberei sobre o que serei
E serei apenas uma lembrança ou minha própria palavra
E minha palavra nada mais é do que poesia jogada ao vento
E a poeira foi levada pelo vento ao mar e lá refletiu a luz
E me transformei em um ponto brilhante
Feito de terra levada pelo vento até a água
A união dos elementos fundidos com luz
E pude dizer algo de bom sobre alma
E a vida passou a ter sentido
E ainda sim continuei vivendo
Um dia de cada vez
posted by Alexandre dos Santos Silvano
11:40 AM
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Segunda-feira, Maio 14, 2007
TRIOLOGIA
Ponto de partida
Onde estou, não posso ficar
As coisas que enxergo
Não posso concordar
E não posso colocá-las no lugar
São problemas mínimos demais
Que me fazem vibrar errado
Não posso conviver com isso
Chegou a hora de deixá-los para traz
E seus acordos sã desprezíveis
E seus negócios não aceitáveis
A sua lei é o mercado
E sua pena é nos tornar miseráveis
Sorrisos tão falsos quanto amarelos
Eu os vejo bem à minha frente
Enquanto assisto penso
Percebo que a vida pode ser diferente
A diante
Os dois mundos se aproximam
A guerra é evidente e muitos morrerão
Assisto calmo elevado à colina
Não sei o que vou perder
Apenas sei que vou
Muitos dos sorrisos que ainda tenho em lembrança
Talvez desaparecerão para sempre
O passado que me trouxe aqui
Talvez será apagado e brotará nova semente
Sol e lua em guerra
Aguardo quem vai prevalecer
A imensidão da lua, firme há mil anos
Contra a força do sol cada vez mais forte
Seja qual for quem vença
Já penso como ser feliz
Não me sinto mal com a guerra
E as vezes a sinto como simples mudança
Porque o frescor da lua
Me fez caminhar pela escuridão de alguns vales
E incontáveis vezes bebi de felicidade
Mas outras tantas me deitei com a tristeza
E o sol pode iluminar meu caminho
Desde que eu não me perca e me derreta
Fazendo de mim permanência
Desde que a consciência me acometa
Do alto da colina assisto a batalha
Horas de lua fresca e clara
Horas de sol forte e revigorante
Assisto e me transformo
A guerra é inevitável
Inevoitável como seguir adiante
A bonança
Olhe pela sua janela
E veja o lindo dia lá fora
Você preso aqui dentro com seus problemas
Procurando soluções inexistentes
E hora de ficar atento
E fazer mais por você
Só por você
E acordar de manhã
E respirar um ar puro de tranquilidade
Exercitar a mente
Com alguma dose de felicidade
Abra a janela
E sinta o vento lhe tocar
Trazendo cheiros de longe
Boas notícias de todo lugar
É hora de pensar no amanhã diferente
Porque ele não vem até você
Ele é o que você faz agora
Não é alguma coisa que vem de repente
Esvazie sua mente
Pois ela não precisa ficar cheia de mais
Datas, números, coisas
Sua mente é uma imensa biblioteca
Que não serve para nada
Se estiver bagunçada demais para você entrar
O seu verdadeiro eu lhe pede
Você se junta a ele
Corpo e mente sã
Sat Nam
posted by Alexandre dos Santos Silvano
9:32 AM
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Segunda-feira, Maio 07, 2007
As bodas de Cris e Wagner
Nas rodas do grande ônibus
Estou em bela igreja
Todos nós estamos felizes
E não há quem não esteja
É meio assim história de amor
Açucarada feito filme
Com final feliz e tudo mais
Os montes são claros
Feito vestido da noiva
Feito o sorriso do noivo
Ah, como eu gosto disso !
O amor venceu de novo
E calou os incrédulos
E transformou as pessoas
Pediu atenção
Fez o povo se calar
Botou junto duas pessoas maravilhosas
E eu estava lá para testemunhar
As bodas são uma coisa linda
Uma boa festa, um ótimo lugar
Eu vi a noiva indo embora correndo
Com seu vestido a segurar
Eu vi o noivo acompanhando a correria
Com um sorriso par
Ah ! Como eu gosto de final feliz!
E meus grandes amigos estavam lá
Convivendo um fim de semana inteiro
Sem nada para reclamar
posted by Alexandre dos Santos Silvano
9:48 AM
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"Seu" Chico
O último leito
Em que vi de perto
Não foi com meus olhos
Mas foram olhos amigos
Que fizeram o certo
E Francisco suspirou e morreu
Em cada mensagem
A lembrança do sorriso
Uma gargalhada boa
De quem nem a morte pode tirar
Não houve a banda de musica
Mas o céu estava a tocar
E o chico de onde estava
Nos estimulava a tranquilizar
Seu corpo tranquilo
Quase como que em um sono
Foi embora em paz
Deixando a doença para traz
E onde está, vai estar sorrido
Feito aqui na minha lembrança
Pois só consigo me lembrar de rindo
E Francisco suspirou e morreu
E deixou esposa, filhos, netos e família
Foi meio de repente como uma piada
Como as piadas que ele dizia
Fica a saudade
Um misto de falta
Vontade da sua presença
Com um toque de tranquilidade
posted by Alexandre dos Santos Silvano
9:45 AM
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